espécies de espaços II

Sara Lana

impressão digital em vidro

Museu de Arte da Pampulha | Belo Horizonte | MG | 2019

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Um conjunto de imagens nos oferece a visão sobre a ocupação aparentemente inofensiva das aranhas. O dado importante sobre estas imagens é que elas são registros realizados por câmeras de vigilância domésticas do mundo inteiro.

São incontáveis as câmeras que tiveram suas imagens inviabilizadas graças às aranhas que, em disputa pelas quinas, tramaram teias na frente desses aparatos.

Espécies de Espaços II é resultado da coleta dessas imagens, partindo de câmeras deixadas abertas na internet por negligência de seus usuários.

Aparentemente, uma aranha leva de 20 a 30 minutos para tecer sua teia. Esta, que por sinal também é a palavra em inglês usada para nomear a grande rede que nos conecta globalmente (web), torna-se a imagem mais crítica desse conjunto. É a única capaz de realmente fornecer uma ideia de privacidade e proteção.

Esse trabalho faz parte de uma longa investigação realizada a partir de câmeras de vigilância residenciais, considerando as contradições de um sistema que ao mesmo tempo vigia e expõe os vigiados. Segurança e exposição, proteção e desproteção, visibilidade e invisibilidade são alguns dos focos dessa pesquisa, que a partir do amplo material levantado propõe uma reflexão sobre algumas disfuncionalidades da hiper-vigiada sociedade em que vivemos.

__ click here for english

A set of images gives us insight into the seemingly harmless occupation of spiders. The important thing about these images is that they are records made by home surveillance cameras.

There are countless cameras that had their images made unfeasible thanks to the spiders that, in dispute for the corners, wove webs in front of these apparatuses.

Species of Spaces II is the result of the collection of images from surveillance cameras left unprotected on the internet.

Apparently, a spider takes 20 to 30 minutes to weave its web. This, which by the way is also the English word used to name the large network that connects us globally, becomes the most critical image of this set. It is the only one that can really provide an idea of privacy and protection.

Security and exposure, protection and unprotection, visibility and invisibility are some of the focuses of this work, which proposes a reflection on some dysfunctionalities of the hyper-watched society in which we live.

fotos Julia Duarte




thanks to: Hortência Abreu, Luis Rodrigo (Artmosphere), Flávia Peluzzo, Clarice G. Lacerda, Félix Blume, Flaviana Lassan.